segunda-feira, junho 13, 2005

E porque hoje é dia 13 de Junho, dia marcado pelo 117º aniversário do nascimento de Fernando Pessoa e feriado municipal de Lisboa, cidade que tanto gosto, aproveito para expôr uma fotografia tirada num passeio pela antiga Lisboa. Ao que complemento com um poema de Pessoa, mais precisamente Álvaro de Campos, sobre a mesma.




Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstratas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...

Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me náufrago;
ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.

Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.

Outra vez te revejo,
Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...

Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?

Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...

Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...

Lisbon Revisited (1926) - Álvaro de Campos

sábado, junho 11, 2005



Looking at herself but wishing she was someone else
Because the body of the doll it don't look like hers at all

Posters - Jack Johnson

quarta-feira, junho 08, 2005

Why do we
Crucify ourselves
Every day
I crucify myself
Nothing I do is good enough for you
Crucify myself
Every day
And my heart is sick of being in chains

Crucify - Tori Amos

terça-feira, maio 31, 2005

Quando estou em paz comigo, sem lutas interiores, como hoje, divago sobre a minha fragilidade, a minha condição humana. Estranho... ou nem por isso?
Depois de quase duas horas de viagem de regresso a casa, no autocarro, escrevi o texto que se segue, após reflectir e viajar dentro de mim, reencontrar o eu que andava fugido.
‘A fragilidade tem efeitos curiosos em mim! Busco na palavra, no papel em branco, um morno sentimento de conforto. Conforto que não sou capaz de procurar junto dos outros. Apesar de, quando assisto a uma maior fragilidade em alguma pessoa, sentir-me privilegiada por poder vislumbrar a humanidade, o ser humano, dentro da capa que todos usamos hoje em dia de pessoas fortes, felizes e bem sucedidas; o certo é que não tolero demonstrar essa minha fragilidade. Em mim encaro-a como fraqueza, fracasso... Não sou capaz de dizer algo como: preciso de ti. Fico silenciosa, muda, quando a minha alma grita. Nesses momentos, desejo uns braços que me envolvam, uns lábios que me encontrem, um olhar que me abrace. Mas não permito sequer aproximações. Estou de cócoras dentro da minha casca, com receio de ser vista tão quebrável, tão humana... E hoje consegui reflectir sobre tudo isso por me sentir bem. Não preciso esconder... proteger... defender... Quem sabe amanhã?’

segunda-feira, maio 30, 2005

Não consigo dormir! Então pus-me a pensar numa conversa que tive com um amigo, em que ele me disse : nunca seremos capazes de perceber o porquê de alguém nos amar.
Ao que acrescento: nunca seremos capazes de perceber o porquê de amar alguém. Porque apesar de termos consciência do que nos faz apaixonar por alguém, o certo é que outro alguém pode fazer exactamente o mesmo sem conseguir tal resultado.
Quem compreende a complexidade do ser humano?

sexta-feira, maio 20, 2005

Did you realise no one can see inside your view? (Strangers, Portishead)

Esta frase sempre me pôs a pensar. Todos nós temos visões únicas do mundo, dos outros e de nós mesmos. Tenho pensado muito neste facto que todos sabemos consciente ou inconscientemente. Talvez pelo trabalho que faço há alguns meses, talvez pelo livro que terminei ontem, talvez pela minha natureza reflexiva e de questionamento.
Ontem terminei a leitura de Ondas de Virginia Woolf. Livro fascinante, intenso, profundo. Foi um livro que esperou o momento certo para entrar na minha vida. Foi-me oferecido por uma amiga mas só um ano depois o li. Não estava ainda preparada para ele. É daqueles livros em que temos necessariamente de nos adaptar à pele do autor pela sua especificidade e singularidade. É sem dúvida esta a literatura que gosto e admiro. Uma prosa poética, com frases de paragem obrigatória para a reflexão, ponderar sobre nós, os outros, a realidade. Seis personagens que poderia simplificar como Rhoda, a diferente, contemplativa, reservada, misteriosa; Jinny, exuberante, atraente, corporal; Susanne, ponderada, sem necessidade de ser admirada; Louis, cerebral, complexado, que se refugia no trabalho; Bernard, sonhador, atento às palavras; e por fim Neville, livre, apaixonado.
Mas todos eles, como nós próprios, somos muito mais do que duas ou três palavras, duas ou três etiquetas. Uma amiga perguntou-me há dias o que ela era, segundo a minha opinião. Como reduzir a imensidão, a complexidade de uma pessoa a meia dúzia de rótulos? Alguém fica a saber quem eu sou se me definir como calma, sonhadora, reservada, diferente? Sem dúvida sinto que sou tudo isso. Mas sou também muitas outras coisas. Por isso nunca gostei de rótulos e catalogações. Somos pessoas, não embalagens num qualquer supermercado à espera de sermos comprados. Eu pelo menos não estou à venda!

terça-feira, maio 17, 2005

De vez em quando, e não tão raramente quanto seria de esperar com a velocidade a que actualmente se corre pela vida, vivo momentos de verdadeira plenitude e perfeição. Em que todo o universo está alinhado exactamente como deveria estar. O que geralmente acontece nos momentos mais simples... Quando estou a olhar o mar, quando estou a passear nos meus locais favoritos, quando oiço uma música que realmente me toca, quando leio um bom livro...
Este sábado senti que a areia podia deixar de correr pela ampulheta, porque tudo estava simplesmente perfeito. Estavas nos meus braços, a tua pele junto da minha, as minhas mãos na madeixas do teu cabelo, a tua respiração morna e calma, as tuas mãozinhas pequeninas no meu pescoço, os teus olhos que, apesar de mortiços pela febre, me deram amor e gratidão. Estavas desprotegido, nos meus braços, receptivo aos meus carinhos e ao meu amor. Há meses que não tínhamos um momento assim. Lembrei-me de quando nasceste e eu cantava para ti. Agora és mais independente, já não te deixas facilmente estar nos meus braços. Queres descobrir o mundo. E como ele te desperta curiosidade e fascínio! E como eu adoro assistir a todas as tuas descobertas! Ainda bem que entraste na minha vida!

quarta-feira, maio 11, 2005

Sinto falta do fumo do teu cigarro...

domingo, maio 08, 2005

Faith pours from your walls, drowning your calls
I've tried to hear, You're not near
Remembering when I saw your face, shining my way, pure timing
Now I've fallen in deep, slow silent sleep
It's killing me, I'm dying

To put a little bit of sunshine in your life
Soleil all over you
warm sun pours over me
Soleil all over you
Warm sun

Now this slick fallen rift, came like a gift
Your body moves ever nearer
And you will dry this tear
Now that we're here, and grieve for me, not history
But now I'm dry of thoughts, wait for the rain
Then it's replaced, sun setting

And suddenly we're in love with everything

Soleil all over you, warm sun pours over me
Soleil all over you
Warm sun


The shinning - Badly drawn boy

quinta-feira, maio 05, 2005

Aqui fica uma das minhas músicas favoritas de sempre.


I'm so tired… of playing
Playing with this bow and arrow
Gonna give my heart away
Leave it to the other girls to play
For I've been a temptress too long

Just…

Give me a reason to love you
Give me a reason to be a woman
I just wanna be a woman

From this time, unchained
We're all looking at a different picture
Thru this new frame of mind
A thousand flowers could bloom
Move over, and give us some room

Give me a reason to love you
Give me a reason to be a woman
I just wanna be a woman

So don't you stop being a man
Just take a little look
From our side when you can
Sow a little tenderness
No matter if you cry

Give me a reason to love you
Give me a reason to be a woman
Its all I wanna be is all woman

For this is the beginning of forever and ever

Its time to move over...


Glory box - Portishead

terça-feira, maio 03, 2005

The selfish, they're all standing in line
Faithing and hoping to buy themselves time
Me, I figure as each breath goes by
I only own my mind

The North is to South what the clock is to time
There's east and there's west and there's everywhere life
I know I was born and I know that I'll die
The in between is mine
I am mine

And the feeling, it gets left behind
All the innocence lost at one time
Significant, behind the eyes
There's no need to hide
We're safe tonight

The ocean is full 'cause everyone's crying
The full moon is looking for friends at hightide
The sorrow grows bigger when the sorrow's denied
I only know my mind
I am mine

And the meaning, it gets left behind
All the innocents lost at one time
Significant, behind the eyes
There's no need to hide
We're safe tonight

And the feelings that get left behind
All the innocents broken with lies
Significance, between the lines
(We may need to hide)

And the meanings that get left behind
All the innocents lost at one time
We're all different behind the eyes
There's no need to hide

I Am Mine - Pearl Jam

quarta-feira, abril 27, 2005

Are you desirable?
Are you irresistible?
Maybe...
if you drank bourbon with me it would help.
Maybe...
if you kissed me and I could taste the sting in your mouth it would help.

Leaving Las Vegas

terça-feira, abril 19, 2005

A felicidade é feita de pequenos pormenores! O cansaço de um dia de trabalho... Um céu azul primaveril... um mar dourado... o sol que se esconde na linha do horizonte, deixando atrás de si cambiantes de cores quentes... Nos ouvidos os sons de Kings of Convenience (Gold for the price of silver)... Na mente memórias despoletadas por aromas que passam e não permanecem... E assim se contróem momentos de felicidade e plenitude!

segunda-feira, abril 11, 2005

E uma lágrima cai deixando um rasto frio na pele quente...

domingo, abril 10, 2005

Ontem ao ver um videoclip de Badly Drawn Boy, Silent sigh, fiquei arrepiada. Não só pela música, não só pelo vídeo, mas pelo conjunto, encerrado por uma frase que provocou uma reacção inesperada em mim: ‘erase bad memory, replay with happy ending’. Seria bom se fosse possível!

sexta-feira, abril 08, 2005

Esta foi a minha música desde 1993 (data de Pablo Honey) até 2002

When you were here before,
couldn't look you in the eye.
You're just like an angel,
your skin makes me cry.
You float like a feather,
in a beautiful world
I wish I was special,
you're so fucking special.

But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here.

I don't care if it hurts,
I want to have control.
I want a perfect body,
I want a perfect soul.
I want you to notice,
when I'm not around.
You're so fucking special,
I wish I was special.

But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?.
I don't belong here

She's running out the door,
she's running,
she run, run, run, run, run.

Whatever makes you happy,
whatever you want.
You're so fucking special,
I wish I was special,

But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here,
I don't belong here.

Creep - Radiohead

quinta-feira, abril 07, 2005

Incrível! Tudo pode mudar num dia! Novo trabalho, novo desafio, nova aprendizagem, novas pessoas. Isto em conjunto com o trabalho antigo, fascinante e sempre um prazer. Em vista mais um desafio a nível pedagógico e académico. A vida deixa de ser um ponto de interrogação para se tornar um ponto de exclamação...
Eu quero praia! Sentir o granulado fino da areia nos meus pés descalços! Sentar-me à beira-mar e olhar a imensidão de azul... O céu tocando o mar, o mar beijando-me os pés... Quero praia! Deitar-me na areia e sentir o sol invadindo a pele ou as estrelas observando o fascínio com que sinto o mundo.

quarta-feira, abril 06, 2005

It's not.. what you thought...
When you first... began it.
You got... what you want...
Now you can hardly stand it, though,
By now you know, it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.

You're sure... there's a cure...
And you have finally found it.
You think... one drink...
Will shrink you to... your underground
And living down, but it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.

Prepare a list for what you need,
Before you sign away the deed,
'Cause it's not going to stop...
It's not going to stop...
It's not going to stop,
Till you wise up.

No, it's not going to stop,
Till you wise up.
No, it's not going to stop,
So just give up.

Wise up - Aimee Mann

domingo, abril 03, 2005

Gosto de sinceridade. Gosto de pessoas complexas, profundas. Não gosto de pessoas fúteis. Não gosto de arrogância. Gosto de olhar as pessoas nos olhos. Gosto de rir. Gosto de sentir. Gosto de sonhar. Não gosto quando não sei como agir. Não gosto quando não sei o que dizer. Gosto de olhar o mar. Gosto de vozes a sussurrar ao ouvido. Gosto de ouvir risos e gargalhadas de crianças. Não gosto de sentir medo. Não gosto de desiludir. Gosto de não ser indiferente aos outros. Não gosto de pessoas frias. Não gosto de exibicionismo. Gosto de cantar. Gosto da palavra. Gosto de ler. Gosto de escrever. Não gosto de me sentir incompreendida. Gosto de acordar com o sol a entrar pela janela. Gosto de música. Gosto de conhecer novas e diferentes culturas. Gosto de cinema. Gosto do cheiro do pão acabado de cozer. Gosto do cheiro das primeiras chuvas no Inverno. Gosto de poesia. Não gosto das pessoas que pensam que a felicidade se resume ao dinheiro. Não gosto de egocentrismo. Gosto de humildade. Gosto de humanismo. Gosto de utopias. Gosto de ideais. Gosto do respeito pela privacidade de cada um. Não gosto da necessidade de controlar tudo o que sinto, faço e digo.